As condições naturais fazem da França o cenário perfeito para a produção de alguns dos melhores vinhos do mundo e a Borgonha certamente reúne os principais terroirs do país. Conheça os rótulos da Maison Moillard.
Dizem que a Borgonha define o rumo dos vinhos e não é exagero; poucas regiões vinícolas têm predicados tão especiais. Os vinhos da Borgonha, na França, ganham complexidade e elegância inigualáveis com o envelhecimento. Além disso, há uma aura especial e determinante para os fiéis apreciadores: nunca se sabe exatamente o que se irá encontrar ao abrir um Borgonha. Parte dessa imprevisibilidade deve-se à localização geográfica: mesmo as áreas mais ao Sul estão muito ao Norte para que as uvas amadureçam de forma constante, todos os anos.
Os produtores da Borgonha sempre tiveram um interesse maior pela terra e pelas plantas do que pela adega. Quer escolham a certificação orgânica, a prática da biodinâmica, o cultivo racional ou o retorno às práticas de seus antigos registros familiares, os borgonheses têm como objetivo atual devolver a terra toda a sua qualidade e traduzir séculos de conhecimento deste inimitável terroir.
Maison Moillard: savoir-faire

A Maison Moillard possui vinhedos na Borgonha desde antes da Revolução Francesa e destaca-se na produção desde 1850. Hoje a propriedade abrange quase 20 hectares entre a Côte de Nuits e a Côte de Beaune, de Nuits-Saint-Georges a Volnay, sendo que metade dos vinhos são Premier Cru.
Confira a seguir a entrevista com Alize Drouet, embaixadora de vinhos da Borgonha da Maison Moillard (publicada originalmente na revista Vinícola).
O que é um embaixador dos vinhos da Borgonha pela Maison Moillard?
Eu gosto de pensar que é alguém que tenta espalhar o amor pelos vinhos da Borgonha o máximo possível. Engloba desde um papel educativo para aumentar a conscientização, até compartilhar conhecimento com nossa equipe de vendas e parceiros ao redor do mundo.
A Borgonha é mítica. Seus vinhos ganham uma complexidade e elegância única com o tempo. Além disso, tem uma aura especial e determinante para os amantes de vinho: nunca sabemos o que vamos encontrar ao abrir uma garrafa da Borgonha. O que faz dos vinhos dessa região tão especiais e cobiçados?
A magia da Borgonha é a diversidade que vem das duas principais variedades de uva, Pinot Noir para os tintos, e Chardonnay para os brancos. O mosaico dos terroirs proporciona uma incrível variedade de vinhos, desde os mais frescos e expressivos Chablis, aos poderosos e complexos de Meursault. A qualidade que entregamos hoje é resultado de centenas de anos de estudo e seleção de terras, que hoje nos permite cultivar as uvas nas melhores condições possíveis. E ficamos felizes em fazer parte dessa história!
Você concorda que os enólogos da Borgonha sempre tiveram interesses mais aprofundados no solo e na plantação (terroir) do que na adega? Isso é aplicado à filosofia de Moillard?
Na Borgonha nós temos uma expressão específica para isso, chamada “Climat”, que é uma parte de terra com microclima e geologia próprias. Esse espaço foi delimitado depois de séculos de experimentação, como expliquei anteriormente. Tudo isso ajuda na produção de um vinho único e específico, que é cuidadosamente rotulado e classificado como Apelação Regional, Village, Premier Cru e Grand Cru. Nós temos mais de mil Climats, mas os mais famosos são Clos de Vougeot, Romanée-Conti e Nuit-Saint-George.
Além disso, o “Climat” é uma aliança entre o solo, o microclima e o trabalho dos produtores no decorrer dos séculos. Essa palavra explica o quão importante o trabalho nos vinhedos é para nós na Borgonha. Para a Moillard não é diferente, somos uma propriedade e também negociantes. Nossos produtores, Baptiste Corrot e Serge Debucy, passam muito tempo com o diretor de vinhedos, Jacques Briday. Eles confiam nele para trazer as melhores uvas do vinhedo. Depois disso, o único trabalho é explorar a diversidade de cada apelação e Climat. Baptist e Serge trabalham muito próximos com nossos fornecedores de uvas, eles discutem juntos o trabalho de cada vinha e o tempo de colheita.
Nosso lema, na Moillard, é “Des vins bien élevés depuis 1850”, ou seja, é compatível com nossa proposta de apenas ajudar as uvas para que possam se revelar sozinhas e se tornar grandes vinhos.
Ter uma variedade de apelações, aventurar-se em vinhos da Borgonha pode ser um pouco assustador para os recém-chegados ao universo do vinho. Qual seria sua recomendação para os que não se sentem confiantes o suficiente para apreciar a Borgonha ainda?
Eu sempre recomendo começar por onde se sente confortável. Se você não tem conhecimento sobre as apelações, talvez vá se familiarizando com as variedades Pinot Noir e Chardonnay a partir das apelações regionais, como Pinot Noir da Borgonha e Chardonnay da Borgonha, para entender a tipicidade da Borgonha. O próximo passo pode ser o Chablis, pelo seu estilo fresco e elegante.
Muitos consideram a Borgonha uma região que produz vinhos exclusivamente para ricos. O que os leitores ficariam surpresos em saber sobre os vinhos da região?
Nós trabalhamos em um solo feito para produzir os melhores vinhos. Sendo assim, o controle do volume de produção é crucial para entregar as melhores qualidades ano após ano. É claro que os vinhos ganharam interesse internacional nas últimas décadas, o que acaba influenciando os preços. Somente 350 mil garrafas dos vinhos da Borgonha vêm para o Brasil todo ano. Deviríamos nos sentir privilegiados se formos sortudos o suficiente por beber pelo menos uma.
O que o leitor pode esperar ao degustar um vinho Moillard?
Acreditamos que devemos ser os guardiões dessa diversidade de climat e complexidade do solo de Borgonha. O cliente vai descobrir a tipicidade e a diversidade de cada climat trazida por enólogos experientes na região, pois somos uma das Maison que produz um dos maiores “portfólios” das diversas apelações da Borgonha. Estamos muito felizes de ter encontrado um parceiro (a Porto a Porto e a Grande Adega) que entende nossa visão e trouxe ao mercado brasileiro mais de 20 denominações da Maison para promover essa diversidade.
Qual sua sugestão para aproveitar de forma única o vinho e turismo na Borgonha?
Toda visita para a Borgonha é única! Para aproveitar mais, eu recomendaria ir no período de primavera ou verão, pois os dias são mais longos e ensolarados. Fique o máximo que puder, comece em Dijon e desça para Meursault, e não esqueça de parar em Nuit-Saint-George para visitar e provar os vinhos Moillard! Experimente todos os restaurantes e vinhos, você não irá se arrepender.
Se você tiver que escolher apenas uma cidade, acredito que Beaune é imperdível! E para um melhor entendimento da experiência, eu recomendaria não esperar uma visita no estilo “Disneylândia”. É preciso lembrar que, ao contrário de Chile ou dos Estados Unidos, a maioria dos produtores de Borgonha já estavam estabelecidos antes mesmo do enoturismo existir, de modo que a maioria das vinícolas são pequenas, familiares e sem organização para visitas grandes. Então tente ligar e planejar suas visitas com antecedência.
Como a Borgonha lidou com a pandemia de Covid-19?
Tem sido um período difícil para a Borgonha e para a famosa “arte de viver” francesa. Nós vivemos para compartilhar refeições e experiências, então é claro que todas as restrições e lockdowns nos afetaram. Também vou ter que comentar sobre os restaurantes, que são uma ótima vitrine para os vinhos da Borgonha e tiveram que se reinventar nesse último ano.
O interesse global pelos vinhos não diminuiu, mas outra notícia terrível que afetou nossos vinhedos em 2021 foram as geadas, que destruíram parte das nossas produções, nos deixando com poucas garrafas e com menos oportunidades de atrair novos amantes da Borgonha.
Mesmo assim, sempre nos mantemos positivos. A maioria de nossos clientes mantém a esperança e a Borgonha ainda é uma região vinífera altamente desejada, como mostrou o recente recorde no Leilão Hospice de Beaune! Nós esperamos continuar e preservar esse legado maravilhoso.
Confira três rótulos da Borgonha que não podem faltar na sua adega.
Chablis Coquillage Branco

Elaborado com a uva Chardonnay em Chablis, região ao norte da Borgonha, estagia entre 8 e 10 meses em contato com as borras (sur lies), o que confere grande complexidade. Vinho muito equilibrado, com final fresco com notas de limão. Harmoniza com queijos de cabra, queijos azuis e queijo Comté.
Bourgogne Hautes Côtes de Beaune Les Alouettes Branco

Elaborado com a uva Chardonnay em Hautes Côte de Beaune, na Borgonha, apresenta delicados aromas de flores com notas cítricas. Em boca possui bela acidez, mineralidade e notas oriundas do estágio em madeira. A combinação perfeita é com escargot, mas também acompanha aves (grelhadas ou assadas), peixes crus e queijos como Camembert, Brie, Gruyère e Gouda.
Bourgogne Hautes-Côtes-de-Beaune Les Alouettes Tinto

Elaborado com a uva Pinot Noir na Hautes-Côtes-de-Beaune, na Borgonha, apresenta aromas de frutas como cereja e framboesa, com notas de pimenta. Em boca, apresenta ótima estrutura com taninos firmes. É ideal com carnes assadas, pratos à base de curry e queijos macios.