Vinhos e sustentabilidade

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Cada vez mais os produtores de vinhos aderem a técnicas sustentáveis nos vinhedos e nas adegas, impulsionados pelos movimentos em prol de vinhos orgânicos ou biodinâmicos.

Esse movimento não é recente, mas ganhou força no século XXI, impulsionado pelas informações sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos e seus malefícios à saúde. Principalmente na Europa, e em outros países do Velho Mundo, muitas vinícolas prezam por manejo agrícola que respeita o meio ambiente, mas nem sempre trazem selos ou certificações em seus rótulos atestando que são vinhos orgânicos ou biodinâmicos. Um dos motivos é processo extremamente burocrático; além disso, o selo dos órgãos europeus não é válido no Brasil.

O que são vinhos orgânicos

São aqueles elaborados a partir de uvas cultivadas de forma orgânica, ou seja, sem o uso de agrotóxicos no vinhedo, nem produtos químicos na vinícola. O manejo da plantação é baseado em produtos naturais e equilíbrio do meio ambiente, ou seja, com produtos naturais que garantam a preservação do ecossistema, sem que haja ameaças às vinhas. A cultura orgânica se preocupa principalmente com o solo, evitando-se produtos que não sejam naturais.

 

Vinhos biodinâmicos

São aqueles elaborados a partir de uvas de cultivo orgânico, porém as regras vão além e são baseadas nas teorias de Rudolf Steiner, proposta em 1924. De acordo com os ensinamentos do filósofo austríaco, a agricultura deve levar em conta aspectos cósmicos, como o movimento da lua e dos planetas, no momento de trabalhar a terra. Esses conceitos ficaram famosos mundialmente quando foram adotados por Nicolas Joly, nos anos 1980. Joly foi um viticultor francês, que trabalhou principalmente na região do Vale do Loire, e um dos pioneiros do movimento biodinâmico do vinho.

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Agrotóxico: o grande vilão

Os agrotóxicos são talvez a pior herança das duas Grandes Guerras Mundiais. Foram utilizados, principalmente na 2ª GM, como arma química e, quando as intrigas terminaram eles foram reajustados, digamos assim, para que pudessem ser usados contra pragas na lavoura, proporcionando maior produção para alimentar uma população faminta no pós-guerra. Fez-se uso e abuso dessas substâncias até que a ciência contestou as consequências desses produtos químicos à saúde.

 

Produtores sustentáveis

Entre os produtores de vinhos que priorizam técnicas sustentáveis que as importadoras Porto a Porto e Casa Flora trazem ao Brasil estão a francesa Domaine Denis Dubourdieu, a portuguesa Filipa Pato, a vinícola espanhola Dominio de Punctum, a italiana Corbelli e a portuguesa DUORUM. Conheça!

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Denis Dubourdieu

O francês Denis Dubourdieu foi um dos nomes mais famosos da enologia dos últimos tempos. Além de importante viticultor, professor, pesquisador e doutor da Universidade de Bordeaux, foi consultor enológico de mais de 40 vinícolas europeias. Atualmente sua família comanda cinco propriedades: Château Doisy-Daëne, Château Cantegril, Château Reynon, Clos Floridene e Château Haura. Todas elas têm certificação ISO 14001. As vinícolas estão comprometidas em melhorar o sistema de gestão para a proteção ambiental, conscientizar para a importância de prevenir a poluição e proteger o meio ambiente, desenvolver práticas que permitam reduzir o uso de produtos para controle de pragas e produzir composto orgânico com o máximo de resíduos de plantas e o maior número possível de subprodutos dos negócios.

 

Filipa Pato

Sempre com ideias vanguardistas e adepta a experimentações, a enóloga Filipa Pato é responsável pela evolução primorosa dos vinhos portugueses que aconteceu nas últimas décadas. Filipa trabalha com vinhas velhas que estão adaptadas à Bairrada (Portugal) há anos. Sua dedicação primordial é ao vinhedo, pois acredita que com uvas saudáveis tudo se torna mais fácil na adega e não é preciso maquiar o vinho. Desde 2014 converteu os vinhedos à filosofia biodinâmica e não usa herbicida desde 2009.

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Dominio de Punctum

Situada em Las Pedroñeras, no extremo norte da região de La Mancha, na Espanha, a vinícola se distingue pelos vinhos orgânicos e biodinâmicos. Seus rótulos se destacam não apenas pela elegância de aromas e delicadeza no paladar, mas também por serem naturais e autênticos. O fato de não utilizar substâncias químicas é parte da filosofia agrícola que aponta para o futuro. Não são utilizados pesticidas, herbicidas, fertilizantes sintéticos no solo ou produtos químicos na adega.

 

Corbelli

A Corbelli, com vinhedos na italiana Toscana, possui uma adega próxima a cada vinhedo para que as uvas sejam prensadas o mais rápido possível, garantindo a qualidade dos produtos elaborados para serem consumidos jovens. Desde 2003, os vinhedos têm certificado biológico ou orgânico, ou seja, há utilização de formas alternativas aos herbicidas e uso de fertilizantes naturais.

 

DUORUM

O projeto DUORUM surgiu em 2007 a partir da vontade de dois reconhecidos enólogos, João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco, de desenvolver uma parceria vinícola exclusivamente dedicada ao Douro, em Portugal. Desde o início seguiu-se a filosofia de respeito à paisagem ancestral da Região Demarcada do Douro, considerada Patrimônio Mundial.

As propriedades encontram-se em dois locais incluídos na rede europeia de conservação da natureza (Rede Natura 2000), a Zona de Proteção Especial para Aves do Douro Internacional e Vale do Águeda e o Sítio de Importância Comunitária do Douro Internacional. A vinícola recebeu o reconhecimento do ICNB (Instituto para a Conservação da Natureza e Biodiversidade) e a consequente adesão à iniciativa europeia Business & Biodiversity. Este compromisso tornou-se uma ferramenta importante para atingir os elevados padrões de exigência ambiental pretendidos pela DUORUM na constituição de um projeto de qualidade em nível internacional.

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